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sexta-feira, 5 de março de 2010
Ugeirm pede audiência e aguarda negociação

Enquanto o governo bate cabeça e tropeça nas próprias articulações para seguir justificando um aumento maior para os maiores salários da segurança pública, o tempo passa. A perspectiva de audiência dos diretores da Ugeirm com o líder do governo, deputado Adílson Troca, e com o presidente da Assembleia Legislativa, Giovani Chierini, não se concretizou nesta sexta-feira, dia 5. Há sinal, ainda sem confirmação, de que os encontros podem acontecer na próxima terça, dia 9. 

O chefe da Casa Civil, Otomar Vivian, ainda não respondeu ao pedido de audiência feito pelo sindicato. A Ugeirm não gostaria de antever o óbvio e ainda acredita na possibilidade de respeitosa interlocução. Patinando em negociações com os baixos salários do Executivo, o Palácio Piratini talvez planeje esperar a última hora e apostar na tática do “é melhor um passarinho na mão que dois voando”. E ai das entidades representativas que disserem a verdade sobre os reajustes muito acima da inflação concedidos aos altos salários: serão acusadas de radicalismo e de recusarem aumentos.

A responsabilidade de oferecer política salarial no quarto e último ano de seu mandato é, no limite, da governadora Yeda Crusius. Se ela tentou empurrar um tal plano de valorização do serviço público no fim de 2009 e a ideia naufragou, deveria ter a humildade de reconhecer o erro de sua estratégia ao invés de insistir no discurso autista, descolado da realidade de quem tem baixos vencimentos e viu seu salário real, desde 2007, ser corroído pela inflação. A matemática é uma ciência exata e não existe discurso que convença a calculadora do contrário.

A Ugeirm vai cobrar do governo a isonomia de tratamento com os delegados de Polícia, que tiveram reajuste de 24% no ano passado. O governo mentiu sobre a Lei Britto e sabe disso. Agiu mal ao aumentar a diferença entre o maior e o menor salário da Polícia Civil, mas ainda tem tempo de se corrigir. Tentou, no primeiro bimestre de 2010, aplicar golpe semelhante à Brigada Militar, cuja base reagiu unida contra as altas hierarquias até agora. Reagiu até à pesquisa autoritária do comandante da corporação. Os agentes estarão unidos na defesa do que é justo para a categoria.

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